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A música brasileira pelas lentes de Marcos Hermes

por admin | 29 de junho de 2018 | Cases

Fotógrafo que trabalha com principais ícones da música e acumula mais de 650 capas de álbuns lança livro com acervo pessoal

Desde os 15 anos, o carioca Marcos Hermes se dedica a fotografar ídolos da música brasileira e de outros países. Prestes a completar 30 anos de carreira (em 2019), Hermes acumula acervo único de imagens de artistas, shows, além de cerca de 650 capas de álbuns. O material estará disponível no livro Brasilerô (assim mesmo, sem “i” e com acento no “o”), que lançará no começo de agosto. Seu trabalho também deverá ser visto em exposições em Paris e em Roma nos próximos meses.

A publicação, dividida em seis partes, traz imagens de estilos que vão do heavy metal até a axé music, e artigos escritos por grandes nomes da cena brasileira, como Sandy e Chico César. “Quero mostrar com esse livro que a música brasileira não é só samba e bossa nova. É um leque enorme de estilos e tendências”, afirma. “O livro é um tributo à música nacional e à fotografia musical brasileira”, completa.

Hermes explica que a ideia do livro surgiu por estar acumulando projetos, imagens e oportunidades de trabalho com os grandes ícones – a lista inclui artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Cássia Eller, Ney Matogrosso, Sepultura e Paul McCartney, só para citar alguns. “Vi que precisava transformar esse acervo em uma obra editorial. Fiz muitas pesquisas e não achei nenhuma publicação que tivesse esse tipo de acervo em um único livro”, diz.

Para financiar a publicação, Hermes criou uma campanha de crowdfunding (espécie de vaquinha virtual) no site Kickante, que lhe rendeu um terço do dinheiro necessário. “O crowdfunding tem muitos benefícios além do financeiro. Ele dá a possibilidade de se criar um público consumidor da obra. Conheço pessoas que compraram e apostaram no livro antes de ele existir.”

Longa caminhada

Quando rememora os primórdios de sua carreira, Marcos Hermes se define como “um roqueiro sonhador”, que queria estar perto dos ídolos e que descobriu por acaso um talento. “Era uma oportunidade. Eu a abracei e a coisa deu certo”, lembra. “Não tinha equipamento e ninguém na minha família sabia fazer isso.”

O aprendizado veio na prática, no contato com outros profissionais e em passagens por diversas redações. O segredo para uma foto perfeita? Em shows, a recomendação é precisão e concentração em momentos únicos. Em estúdios, a imagem requer um bom briefing e explorar a imagem de forma que preserve o artista. “Não existe um artista para quem a imagem não seja fundamental para o sucesso”, garante.

Ao longo da trajetória profissional, Hermes clicou diversas capas de álbuns que ficaram conhecidas. Entre elas, as dos Acústico MTV de Cássia Eller e O Rappa. Uma ficou marcada como especial e favorita: a capa de Atento aos Sinais, disco ao vivo de Ney Matogrosso. “Ele escolheu a foto e disse que não iria ter nem o nome dele porque a imagem representava seu projeto de tal forma que não precisaria do nome”, conta.

Próximos passos

Para o futuro, Hermes estuda convites que recebeu para expor em Paris e em Roma. Está correndo atrás de auxílio para viabilizar as duas viagens. Além disso, pretende continuar a dar palestras e workshops e a fotografar, inclusive artistas novos, que estão surgindo nos mais variados estilos musicais. “Fotografia gera futuro, sem dúvida. Fotografia é um sonho”.

Para Hermes, o livro é um tributo à música nacional e à fotografia musical brasileira (Crédito da foto: Marcos Hermes)
Making of da publicação, que traz imagens de estilos que vão do heavy metal até a axé music, e artigos escritos por grandes nomes da música brasileira, como Sandy e Chico César. (Crédito: Marcos Hermes)
Marcos Hermes já trabalhou com grandes nomes da música, como o Rappa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Cássia Eller, Ney Matogrosso, Sepultura e Paul McCartney, só para citar alguns (Crédito : Marcos Hermes )