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Alex Atala: “A maior rede social do mundo é o alimento”

por admin | 26 de novembro de 2018 | Notícias

Conheça o Instituto ATÁ, fundado pelo chef em 2013, que busca melhorar a relação entre o homem e o alimento

Ao longo de sua trajetória profissional, o chef de cozinha Alex Atala percebeu que os ingredientes eram fundamentais para a sua relação com a cozinha. Para entendê-los, viu que era necessário compreender o seu entorno e a natureza. Em 2013, criou, junto a antropólogos, pesquisadores e empresários, o Instituto ATÁ para “cuidar melhor da relação entre o homem – tanto o que consome quanto o que produz – e a comida”. A entidade visa estruturar as cadeias e trazer ingredientes “bons para quem come, para quem produz e para o ambiente”.

Para Atala, chef e proprietário do estrelado D.O.M. e considerado o sétimo melhor chefe de cozinha do mundo, é essencial reaproximar o ser humano do alimento e, para isso, pensar a sustentabilidade em um sentido amplo. “Acredito que a maior rede social do mundo é a que conecta sete bilhões de seres humanos no planeta Terra: o alimento”, afirma Atala. “Trabalhar em favor da cadeia do alimento, reforçar conceitos que também passam pela sustentabilidade, é aproximar o homem do alimento. Infelizmente, nós, seres urbanos, nos desapegamos do ingrediente”, completa.

O caso da pimenta Baniwa é um exemplo do propósito e dos benefícios que o Instituto traz. Os Baniwa são um povo indígena formado por aproximadamente 15 mil pessoas, que vivem em 200 comunidades no Brasil, na Colômbia e na Venezuela. Eles produzem a pimenta Baniwa, produto único feito com uma variedade de pimentas nativas que, quando desidratadas, moídas e misturadas com um pouco de sal, formam um tempero potente.

“Esse produto ainda não chegou ao mercado porque o público não o conhecia e os Baniwa não tinham a estrutura para comercializar”, diz. “Então, o Instituto ATÁ juntou esforços com o Instituto Socioambiental (ISA) e com os próprios Baniwa e hoje esse produto pode ser encontrado, em São Paulo, no Mercadinho Dalva e Dito, no Mercado de Pinheiros e, inclusive, o usamos em pratos dos restaurantes”, conta.

O resultado da parceria foi positivo e sustentável. “Com o retorno financeiro que este movimento de empoderamento cultural conseguiu, muitos Baniwa hoje estão seguros financeiramente e, inclusive, preferem trabalhar com a pimenta do que em mineração (que era uma atividade comum entre eles)”, exemplifica Atala.

Rico mercado

O Instituto ATÁ mantém, em parceria com outras instituições, boxes do Mercado Municipal de Pinheiros, focados em ingredientes de diferentes biomas do Brasil. Um de seus principais objetivos é trazer luz à rica biodiversidade do País, que se traduz em um leque sem fim de ingredientes, repletos de aromas e sabores desconhecidos de grande parte dos brasileiros.

A iniciativa busca fortalecer a ponta da cadeia, contribuindo para que pequenos produtores, artesãos e comunidades se estruturem e sejam remunerados de maneira justa, tornando seus negócios sustentáveis economicamente, e facilitando sua entrada no competitivo mercado paulistano. O papel de todas as organizações envolvidas é de construir pontes entre o consumidor e o pequeno produtor, buscando encurtar o caminho do campo à mesa.

Entre os produtos comercializados estão, por exemplo, o tucupi, molho de tucupi preto, miniarroz do Vale do Paraíba, farinha piracuí, cachaça de jambu e doce de cupuaçu. Segundo o chef, a ideia é que o Mercado Municipal de Pinheiros se torne “uma embaixada do ingrediente brasileiro”.

Foto: Ricardo D´Angelo

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