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Chocolate orgânico gera futuro no sul da Bahia

por admin | 4 de dezembro de 2018 | Notícias

Mistura entre produto exclusivo, sustentabilidade e valorização do trabalhador local resultou em exportações, premiações e revitalização da plantação de cacau na região

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em biodiversidade no mundo. Pode ser paradoxal a ideia de que produzir e extrair matéria-prima de lá ajude a preservá-la, mas é exatamente o que acontece com a Amma Chocolate, empresa baiana que utiliza a produção orgânica de chocolate para agregar valor, gerar emprego e renda e divulgar a gastronomia brasileira em diversos locais do mundo, como Holanda, Estados Unidos, Escandinávia e Japão.

A empreitada teve início em 2002, em fazendas na região Sul da Bahia, próximas de Itabuna, Ilhéus e Itacaré, onde o casal Luiza Olivetto e Diego Badaró plantam cacaueiros em meio à vegetação nativa, que é preservada. A conservação do meio ambiente foi, inclusive, um dos principais motivos para a iniciativa.

Antes de o casal colocar a mão na massa, a região estava tomada pelo fungo vassoura de bruxa. A retomada do plantio, destaca Luiza, foi essencial para a recuperação socioeconômica da região. “Sempre estive ligada com coalizões de proteção ambiental e reflorestamentos. Plantar novamente o cacau e preservar a floresta é ter uma agenda positiva no sul da Bahia”, afirma a empresária.

Outro cuidado por trás do chocolate é a forma de produção orgânica, com controle de qualidade, incentivo a cooperativas da região e uso de insumo locais. “Fazemos um trabalho junto às comunidades, são assentados que fazem um trabalho muito bom. São cerca de 500 famílias envolvidas”, explica Luiza.

Em relação a insumos locais, a marca faz uso de um biogel como fertilizante. “É um componente orgânico feito com compostagem de uma terra muito rica da Chapada Diamantina, matéria orgânica e água do mar de Ilhéus”, conta. A mistura contribui para a fertilidade do solo e, consequentemente, para o crescimento e saúde das plantas.

Cadeia produtiva completa

Um dos aspectos importantes é que a marca trabalha toda a cadeia produtiva, do plantio do cacau à produção do tablete de chocolate. “É o olhar diferente para uma questão que vinha sendo trabalhada há vários séculos só como uma matéria prima”, afirma Luiza. Para a empresária, o controle sobre toda a cadeia garante aumento da qualidade. “Se você, desde o início, planta um cacau de melhor qualidade, em uma terra de qualidade, se preocupa com a fermentação, o descanso e a secagem, ao final, tudo isso influencia na qualidade do chocolate. Nosso produto não tem nenhum conservante, é puro cacau”, afirma.

Sucesso

A mistura entre gastronomia, sustentabilidade e valorização do trabalho local deu certo. Além da produção de cacau (que chega a 6 toneladas por ano), os chocolates da empresa são exportados para diversos países e já levaram medalhas como a do International Chocolate Awards. Além disso, o casal escreveu o livro “Floresta, Cacau, Chocolate”, vencedor do prêmio de melhor livro do mundo na categoria Chocolate no 22º Gourmand World Cookbook Awards, em Yantai, China, em 2017.