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A estilista alagoana dos vestidos rendados

por admin | 21 de Março de 2018 | Cases

A estilista alagoana Martha Medeiros fez da renda, tradicional artesanato, sua matéria-prima para conquistar o mundo

Aos oito anos, a estilista alagoana Martha Medeiros confeccionava – e vendia – roupas para bonecas na quadra em que morava. A paixão pela moda cresceu e permeou sua vida. De lá para cá, consolidou a marca que leva seu nome e fez das rendas, obras-primas.

Os vestidos exclusivos, que não saem por menos de cerca de R$ 3 mil, ganharam o Brasil e, na sequência, conquistaram o mundo. São exportados para 35 países e foram escolhidos por celebridades como Beyoncé e Sofia Vergara.

A marca conta com cinco lojas e emprega, diretamente, 400 rendeiras, além de outros 120 funcionários. O próximo passo será a abertura da Escola de Renda Martha Medeiros, em Piranhas (AL), que irá capacitar alunos na área da economia criativa.

Martha Medeiros é mais um exemplo de como a cultura gera futuro. Também é um case de sucesso dentro do mundo da moda brasileira, que ganha cada vez mais espaço fora do País. O Brasil detém o quarto maior parque produtivo de confecção do mundo, com 1,479 milhão de empregados diretos. O faturamento da cadeia têxtil e de confecção é da ordem de US$ 45 bilhões; em 2016, foram US$ 39,3 bilhões.

A moda permeou a vida de Martha Medeiros (foto),que começou a confeccionar roupas com 8 anos .

Em entrevista ao #culturagerafuturo, Medeiros fala de sua trajetória, do mercado e ainda explica o que está por trás do seu sucesso. Confira:

Como começou sua paixão pela moda?
Foi com 8 anos de idade. Meu primeiro negócio foi fazendo roupas de boneca. Depois, aos 14 anos, passei a vender as roupas e as bonecas. Comecei pintando camisetas, cortando jaquetas de jeans… E, tudo que fazia, vendia. Há 10 anos, passei a confeccionar. Hoje, tenho cinco lojas próprias. Vendemos para 35 países, vestimos celebridades como Beyoncé e Sofia Vergara. É bem gratificante. Mas o melhor é quando vejo que, no mundo inteiro, não existe mais renda feita a mão e aqui usamos essa técnica, com a ajuda de comunidades do Nordeste do Brasil. Temos 400 rendeiras trabalhando para a gente. O mais importante é transformar a vida das pessoas para melhor, sair fazendo o bem. O caminho que a gente escolheu para isso é o da moda.

De onde vem a inspiração para suas criações?
Acho que vem das mulheres que conheço, das viagens que faço, da felicidade que sinto em viver.

O que representa a renda no seu trabalho?
Hoje temos a maior comunidade de rendeiras. Isso é um fruto muito bom do nosso trabalho. Expus em um museu na França, que é dedicado à renda, e consegui ter acesso a técnicas muito antigas, perdidas no tempo, e resgatar para cá. Hoje, nossa renda tem pontos que não existem mais, que recuperamos. Nossa intenção, neste ano, é inaugurar a primeira Escola de Renda, em Piranhas, Alagoas, em um prédio no centro histórico.

Como será a Escola de Renda Martha Medeiros?
Lá você não vai aprender só sobre renda. Você aprenderá a agregar valor em tudo que faz com as mãos. Ensinaremos, seja com renda, com palha ou madeira, por exemplo, a como ter um acabamento, um design, e vamos ajudar com o mercado consumidor para o seu produto.

Como a senhora vê a moda como um gerador de emprego e renda e indutor do desenvolvimento do País?
Tem uma cadeia onde todos ganham e, por meio do trabalho valorizado e bem remunerado de todos, pode-se transformar a qualidade de vida. A moda é um grande exemplo transformador. Diretamente, 400 pessoas trabalham conosco no Nordeste e outras 120 em São Paulo. Isso envolve costureiras, rendeiras e estilistas, por exemplo.

Dentre os setores que compõem a economia criativa do país, a moda é um dos que mais cresce. Na sua avaliação, qual o diferencial competitivo do Brasil neste setor?
Eu só acredito em moda no Brasil que tenha o DNA da brasilidade, que trabalhe com insumos fabricados no Brasil. Acredito numa moda feita de forma diferente. Para ter chances de fazer sucesso lá fora e competir com China e Itália, não vejo outro caminho a não ser trabalhar o DNA do Brasil. Temos muita coisa boa aqui, o verdadeiro luxo é brasileiro.

Qual o diferencial da sua marca com relação à produção nacional?
Somos uma marca 100% Brasil. O fio fazemos aqui, o algodão que trabalho é 100% nacional. O caminho é valorizar os artesões brasileiros e fazer tudo isso com cara de mundo, de alta costura.

Como a senhora chegou ao mercado internacional? As suas exportações já superam as vendas no Brasil?
Faz uns oito anos. O primeiro lugar que vendemos foi em Nova York, mas a nossa venda forte é no Brasil.

Que conceitos e ações os empreendedores brasileiros no seu setor precisam seguir?
Na moda e em todos os ramos, você tem de ter um empreendedorismo social. Não dá mais para ter negócios e trabalhar só visando o lucro. É preciso, primeiro, descobrir o seu DNA. A palavra estilismo vem de estilete, objeto cortante que deixa marca. Então, estilista é a pessoa que você olha para a roupa, vê o estilo e sabe de quem a roupa é. Você tem de ter o próprio estilo, do contrário, não consegue agregar valor. E, tenha certeza: você só vai prosperar se todos os que fazem parte da cadeia produtiva também prosperarem.

Conheça também o projeto social Olhar do Sertão de Martha Medeiros: