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Projeto brasileiro “Aldeia das crianças” vence prêmio de arquitetura internacional

por admin | 23 de novembro de 2018 | Notícias

Iniciativa é exemplo de como a economia criativa – e mais especificamente a arquitetura – pode ser uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social

O projeto arquitetônico “Aldeia das crianças”, de Marcelo Rosenbaum e do grupo Aleph Zero, venceu, nesta semana, o Royal Institute of British Architects (RIBA) 2018. O prêmio, um dos mais prestigiados do setor, é concedido a cada dois anos para um edifício que mostre excelência em design, ambição arquitetônica e ofereça um impacto social significativo. A iniciativa brasileira é mais um exemplo de como a economia criativa – e mais especificamente a arquitetura – pode ser uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

As moradas infantis para escola da Fazenda Canuanã, em Formoso do Araguaia, no Tocantins, buscam o resgate cultural, a beleza indígena e seus saberes, além do incentivo a técnicas construtivas locais. A premiação resultou não apenas do edifício, mas do processo de criação dele, que envolveu reuniões com crianças em atendimento a suas demandas, além de uma ampla pesquisa para melhor uso dos materiais.

“A proposta é especial, tem um olhar delicado e sensível para o lugar, para entender o lugar, as crianças e propor uma solução adequada ao uso e sonho que tinham, e que fosse adequado ao clima do cerrado, que tem muito calor”, explica Gustavo Utrapo, responsável pelo projeto e sócio-arquiteto da Aleph Zero.

Para que saísse do papel, foi necessário um ano de projeto e 14 meses de obras. Desde o ano passado, as crianças já aproveitam o espaço. “Fabricamos a estrutura de madeira em outro lugar e montamos lá. Tudo que era leve trouxemos, o resto fizemos localmente, com terra do próprio lugar e enfatizando a questão da sustentabilidade e da terra do lugar”, conta.

O espaço se organiza em duas vilas, uma masculina e outra feminina. A redução de grandes dormitórios para 45 unidades menores, de 6 alunos cada, teve por objetivo melhorar a qualidade de vida das crianças, sua individualidade e, por consequência, seu desempenho acadêmico.

Na escola, também há espaços de convívio, como sala de TV, espaço para leitura, varandas, pátios e redários. “O projeto se configurou com uma grande sombra, que permite que crianças brinquem, corram e tenham imaginação desperta. Esse espaço que não é ocupado, essa grande sombra, é latente para a imaginação das crianças”, comenta.

Concorrência acirrada

A inciativa brasileira desbancou projeto da Universidade da Europa Central, em Budapeste, na Hungria; da Escola de Música Toho Gakuen, de Tóquio, no Japão; e da Boeri Studio, de Milão, na Itália. Veja os projetos.

Em declaração dada à organização do prêmio, o presidente da RIBA, Bem Derbyshire, elogiou a obra. “Oferece um ambiente excepcional projetado para melhorar a vida e o bem-estar das crianças da escola”, disse. “Isso ilustra o valor imensurável de um bom design educacional.”

Economia criativa

A “Aldeia das Crianças” é mais um exemplo de como a cultura gera futuro. “É normal que desenvolvimento aconteça pela criatividade. A arquitetura se insere nisso. Cada vez que constrói, gasta materiais, usa recursos naturais e tem a possibilidade de criar um espaço que encanta, que causa bem esta”, fala Gustavo Utrapo. “Nosso papel fundamental é melhorar a vida das pessoas”